A PASSAGEM PELO ESCRITO NAS PSICOSES

O sujeito psicótico escreve, Schereber, Marguerite, Bispo do Rosário e muitos outros estão aí para nos apresentar o que chamarei de passagem pelo escrito. Existe nas psicoses um empuxo ao escrito que se dá a ver na passagem pelo escrito. No entanto, raramente essa escrita passa pela análise. O que ocorre com freqüência é a sua circulação no espaço público. Escritas que circulam pelas margens, excessivas, mas raramente lidas, que provocam estranhamento pela transgressão das leis que regem a linguagem. O uso de neologismos, a sintaxe própria, a pontuação inusual, o conteúdo bizarro, o trabalho com a materialidade da letra, são características dessas escritas que, na maioria das vezes, têm no lixo um destino comum. O curso visa interrogar os efeitos e usos da letra na passagem pelo escrito nas psicoses.

  • Primeiro encontro: A passagem pelo escrito nas memórias do presidente Schereber

Ao interrogar a passagem pelo escrito em Schereber trabalharemos a hipótese de que a escrita constrói um endereçamento à lei que visa o registro do corpo e a inscrição de um nome.

  • Segundo encontro: A passagem pelo escrito na correspondência divina de Orlando.

Orlando dedica-se à escrita. Ele não se cansa de escrever assim como não se cansa de ler um único livro: a bíblia. O suporte de sua escrita consiste do papel retirado dos maços de cigarro que consome diariamente. Trechos da escritura sagrada misturam-se a seus pensamentos escritos e são depositados nas caixas de correio das residências dos bairros por onde circula. Orlando toma para si a difícil missão de transmitir o inefável e assim  o faz divulgando sua mensagem divina ao bancar o carteiro pelas ruas da cidade. Ao interrogar a passagem pelo escrito de Orlando trabalharemos a hipótese de que é justamente a escrita que possibilita um suporte para o registro do corpo através do endereçamento à analista.

  • Terceiro encontro: Escrita e endereçamento nas psicoses

Trabalharemos as relações entre leitura e escrita na construção de um endereçamento na clinica psicanalítica das psicoses.

  • Quarto encontro: O zero não é vazio

Exibição e discussão do documentário O zero não é vazio (2005) dirigido por Andrea e Marcelo Masagão

DOCENTE

Andrea Menezes Masagão – Psicanalista membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos, Pesquisadora do Centro de Pesquisa Outrarte – estudos  entre psicanálise e arte da Unicamp, Doutoraem Psicologia Clínica pela USP, Pós – doutora em linguística pela Unicamp, Documentarista e roteirista, co-organizadora do Ciclo como Olhar a obra – conversas entre artistas, críticos e psicanalista realizado no Centro cultural b_arco (2008-2010) e do Ciclo Como olhar a obra – residência na vermelho realizado na galeria Vermelho (2011-2012)